Chega uma hora em que tudo se desloca, as coisas passam a perder o sentido. Então, tu vai atrás de algo que traga os sentidos de volta pra ti, mas não ela. Tinha medo de cair novamente em mais uma tentativa tola de trazer algo que não pode ter. Não adianta; por mais que lutem por essas coisas – me refiro à sentimentais - serão em vão. Principalmente para aquela garota, os seus pensamentos estavam confusos; não sabia o que pensar ou fazer. Caso tentasse, talvez pudesse sentir algo, sem tanta intensidade e passageira, mas no final poderia se machucar, novamente. O local onde ela estava encontrava-se destruído, nada restou. Tudo foi perdido, principalmente sua paz. Sentou-se no chão encolhida, e pode ouvir uma voz. – Tu queres se sentir viva? – Sim. Ela respondeu e o tom de voz era quase inaudível. Ouviu novamente. – Por que não vai atrás de algo que lhe faça sentir viva? Que traga os sentidos de volta? (Silêncio.) Ela respirou profundamente, encostou a cabeça na parede que havia apoiado as costas e fechou as pálpebras. – Por que eu deveria? Há um tempo atrás, eu tentei encontrar algo que pudesse trazer os sentidos, pensei ter encontrado, mas me enganei. Só restou dor no final de tudo. Essas coisas não se procura, elas vêm até nós. Caso contrário, se eu cometesse o mesmo erro, eu estaria procurando pela dor, não os sentidos. – Mas a dor não lhe faz sentir viva? Não é o que queria? Se sentir viva. – Mente fraca. Entre sofrer por uma dor sentimental; amorosa, prefiro sentir o vazio. Se bem que o vazio é tão doloroso quanto qualquer outro sentimento, ou até pior. Mas dessa vez, não vou fazer absolutamente nada, até que algo me encontre. Um sentimento; uma luz. Um motivo ou sentido. Vai doer, eu sei, mas eu aguento. Ela preferia sentir uma dor mais intensa; o vazio. Não por se sentir viva, essa dor não fazia com que ela se sentisse dessa forma, ao contrário, cada dia mais morta por não conseguir sentir alegria ou triste. Amor ou ódio. Estava oca por dentro. Mas uma coisa que não aceitava, era errar sabendo do que aconteceria futuramente, ela cairia. Desde então, não via sol nem estrelas; estava a espera. A espera da sua luz e sentidos que a fizesse se sentir viva. 16h21; 1481.
Numa noite de inverno, encontrei-me caminhando pelas ruas desertas e um tanto escuras pela falta de iluminação, até que tu me veio em mente — como se em algum momento, eu pudesse pensar em algo a não ser tu. Os ventos, batiam contra o meu corpo, eu já não me importava mais. Causava apenas arrepios e vez ou outra estremecia. No céu, milhares de estrelas ao lado da grande lua cheia. Observando o céu, suspirei, antes dos olhos encherem de lágrimas e começar a sussurrar pra si mesmo. É vazio sem ti. Noite pós noite faço o mesmo trajeto por essas ruas, tentando, de alguma forma, seguir em frente. Não encontro motivos para isso, a não ser ficar e esperar por ti. Estou me perdendo. Meus pensamentos, se confundem e eu não sei o que pensar, dizer, como agir ou o que fazer. Novamente, tudo se apagou. E eu não posso mais enxergar já que minha luz se desviou de meus caminhos, deixando-me aqui, perdido. Lembra quando disse que jamais sairia de perto de mim? Então. Promessas quebradas. E por mais que tenhas errado, não lhe vejo como um humano estúpido. Eu sei que não és assim, até porque, não lhe vejo como um humano, tu vai além disso. Certas atitudes, são influenciadas. Eu sei, e sinto. Mas não é nesse assunto que eu ia entrar, apenas queria lhe dizer, que eu preciso da minha luz de volta, para iluminar meus caminhos e eu poder seguir em frente, levantar; me recuperar. E trazer proteção à ti. Por mais que negue, que diga que não precisa, agora, eu posso notar o quanto necessita. Eu não me importo se não é a mim que tu ama, se irei me decepcionar novamente com os erros que poderão vir. Eu realmente não me importo, pois quero viver cada mísero segundo contigo e não pensar no depois, quero usar o tempo do presente para lhe dar algo que ninguém jamais foi capaz, felicidade e proteção. Aproxime-se, eu posso amenizar sua dor. Não tenha medo, meu garoto, serei cuidadoso. Eu só preciso de ti aqui, então permanecerei aqui onde estou paralisado, abaixo do luar, esperando por ti. Vai saber onde me encontrar. E lembre-se, não é querer, é necessitar. Tê-lo ao meu lado, vai além de uma vontade. Está virando meio repetitivo, então, é hora de dar um fim nisso. Mesmo se eu não quisesse, tu seria meu dono. De corpo & alma, rapaz. Pois entreguei-me pra ti, no primeiro momento que pude, eu sabia que não seria capaz de jogar um sentimento fora. Não és um humano. És diferente. Hoje sim eu posso dizer que há um desespero em meu interior, pela falta de ti. Enfim… Volte. Apareça. Venha me buscar nessa noite fria, eu preciso da minha luz. Tu não deveria soltar a minha mão, eu disse que meu mundo desabaria. Sempre irei ama-lo, RC. E foi dado o último suspiro do garoto, antes das lágrimas dominaram o rosto pálido e gélido pela baixa temperatura do noite. Apoiei os braços nos joelhos e encolhi o corpo, permanecendo daquela forma à tua espera, no meio da escuridão. Tu foste minha luz, meu bem. Volte; apareça, eu o amo.
Após um longo tempo; não passei a noite em claro - pude encontra-lo, não só nos sonhos. Encontrava-me deitado sobre a areia macia da praia deserta, próximo ao mar. A água do mar; das ondas quebradas tocavam meus pés, vez ou outra. O silêncio da manhã fazia-me ouvir os cantos dos pássaros; e o leve barulho das ondas se quebrando - que há muito não ouvia; ou tinha, uma manhã tão bela quanto aquela. As horas voaram; a noite se foi. Mas as lembranças do sonho ainda estava ali, comigo. Fui despertado pela claridade do sol que batiam contra meus olhos; os tampei da claridade e abri as pálpebras, podendo observar como o dia estava perfeito. Nos lábios levemente avermelhados; ressecados havia um sorriso, nas laterais dos mesmos. Vinte e sete de abril, o dia em que meus sonhos tornaram-se realidade. Eu tive um sonho nessa noite, meu doce garoto encantador, o mais belos dos sonhos. Tu voltava pra mim. Tu endireitaria minha vida, outra vez. Iluminaria meus caminhos; traria felicidade e deixaria-me vivo. 27, a data em que me reencontrei com a luz; contigo. A princípio eu não pude crer no que vi ao abrir os olhos; além do belo dia feito para mim, - nós - a tua imagem estava ali. Ao meu lado. Paralisei, o observei até o momento em que senti seu toque em meu corpo. Estava sol, mas era frio. Os ventos fazia com que eu estremecesse e minha pele arrepiasse. Os lábios tremia vez ou outra. O corpo foi retirado da areia, puxado por ti, enquanto trazia-me para ti; para teu colo. Após feito, envolvi os braços em sua nuca; fui coberto por teu casaco. Havia sentido falta daquele cheiro, o teu cheiro, aquele que me fazia delirar. Não vá mais embora. Não perca-me entre as duas vidas; entre a escuridão. Vida & morte. Segure-me; assim como estou preso à ti agora, entregue de corpo & alma. Minha luz… Está sentindo esses toques gélidos em sua mão direita? São meus dedos; meus toques. Agora segurei sua mão, e não há nada que me faça solta-la. Seguiremos assim, para toda eternidade. 2741932.
Tuesday May 5 @ 07:38pm– “Achei que jamais seria capaz de sentir aquelas sensações que ele transmitia à mim. As quais trouxe-me de volta a vida. Eram intensas demais. Naquele rapaz, construí meus sonhos - como uma criança constroem em heróis, mas afinal… Ele era o meu até aquele momento. Dei início a auto-ilusão. Eu tive medo, pois sabia que em breve soltaria minha mão, e eu cairia de novo; perderia tudo que trouxe de volta para mim. Tudo que construiu naquele curto tempo que estávamos tão próximos; até mesmo a vida. Não da forma que tu imagina. Não como “o fim da vida” - até porque, não há fim. Mas refiro-me de uma forma intensamente dolorosa ao ponto de oculta-la. E voltar para onde eu estava; aquele lugar onde passei século incapaz de poder enxergar uma luz. Algo poderoso o suficiente para me retirar dali. Até tu chegar. Foste minha luz. Mas… Apesar de tudo, entreguei-me. E aconteceu, em um deslize; eu caí. Tudo se apagou.”
ㅤㅤㅤDisse o pequeno garoto deitado abaixo de uma árvore seca; morta. As palavras escapavam como um sussurro, de uma forma falhada e quase inaudível. Algumas mechas do cabelo negro caiam sob o rosto pálido enquanto movimentavam-se lerdamente devido aos ventos que entravam em contato com o corpo. Novamente, ele sussurrou. – “E caso ele realmente não venha me tirar daqui; da escuridão - outra vez. Peço que avise-me, talvez eu possa me tornar algo tão intenso quanto uma “luz”, a qual lhe traz proteção. Mas sim, algo desconhecido; oculto. Talvez assim eu estaria perto dele nos momentos de sorrisos ou choros; transmitiria tranquilidade e proteção de uma forma que humano algum seria capaz de entender. Eu estaria ali, mas ele não seria capaz de me enxergar; ouvir ou sentir.”
ㅤㅤㅤA neve caia sob o corpo da criança, principalmente no rosto pálido; gélido. Ele desejava estar completamente só - ou quase. Não queria ninguém há sua volta. Sem toques ou vozes. Apenas a voz daquele rapaz seria capaz de traze-lo de volta, agora. A voz era como uma melodia para a criança. E as últimas palavras dele escapavam de uma forma suave; doce, dos lábios sem cor; ressecados e entreabertos. – “Estarei aqui nesse lugar; paralisado. Perdido no tempo. E a tua espera; para a eternidade caso seja necessário.”
ㅤㅤㅤEle fechou as pálpebras vagarosamente, e toda aquela claridade ao teu redor devido a neblina, tornou-se escuridão.
ㅤㅤㅤ“Caso não volte, avise-me. Seja por um sinal, ou aqui, onde estou agora. Venha dizer adeus. Assim, poderei me tornar tua luz. Tua proteção. E o mais importante; lhe salvaria. Não o deixaria cair. Nunca. Mas, ainda é tempo. Tempo de salvar o coração quieto; que bate fracamente no interior da criança.”
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ As mãos trazendo o frágil corpo para seus braços;
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤAcolhendo-a, trazendo proteção & segurança o salvará.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤTeu beijo o despertará do sono profundo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤO pequeno coração dentro da criança seria salvo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤEstava morto apenas de fingimento.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤTu era o único que poderia salva-lo – novamente.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤAinda é tempo.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤDesperte-o. Trazendo de volta para sua vida.
Monday Apr 4 @ 09:13pmA luz do sol iluminando os caminhos e eu, escondendo-me no lado escuro, sozinho. Já corri até o momento, para encontrar o meu caminho… Então eu sonho novamente sozinho. Ouço as vozes d’alma, elas mostram o caminho do silêncio e da paz. Não, elas enlouquecem-me ao ponto de me levar para longe. Para longe de mim. Longe do meu verdadeiro eu, me transformo. Fujo. Me mantenho afastado de qualquer humano, ou ser que finja me entender. Longe de todos, vivo meus sonhos; desejos. Vivo a ilusão, até que sou pego pelos meus pensamentos outra vez, aqueles que levam-me à loucura; aqueles que acabam com meu cérebro, alma, corpo. Ou seja, eu por inteiro. E eu caio novamente, sendo entregue à escuridão. Aterrorizando-me interiormente. Entregando-me para a dor. Fracassado.
Monday Apr 4 @ 09:03pm<center>Lágrimas caem como folhas de outono triste;
O tempo é desperdiçado, tu destruistes tudo que nos cercastes.
A tristeza estás abraçando-me com o frio das armas.
O suicídio é líder em mim, tu és a razão para o meu fim.
Depressão dominastes novamente à partir do fundo da minha alma.
Profanação do meu coração, condenado à morte.
A tristeza beijar-me com os lábios envenenados. Abraçando-me.
Por Nosferattus. 23h:54. Quinze. Abril. 11.</center>
Sunday Apr 4 @ 07:51pmEnganar-se e se auto-destruir.
Não se importar com sí mesmo é o início para a auto-destruição. Tu faz de tudo por eles, ajuda-os pensando que de alguma forma vai esquecer o sentimento que corrói dentro de ti. O qual te devora, destrói. Mas mal sabe o quanto está errado enganando a sí próprio. Não chegará à lugar algum. Sorrisos falsos; alegria forçada; momentos indiferentes. Tu sabes o que está tentando fazer, mas tenta se enganar - Novamente. A noite cai, tu encontra-se sozinho. Os pensamentos insistem em lhe levar à loucura, mostrando-lhe o que está fazendo e o que passou. A dor certamente está mais intensa, então, lágrimas incontroláveis percorrem a pele facial. Diversos vezes. Sabe que não passa de uma mentira, está morrendo interiormente e não se importa. Apenas faz com que se acabe logo, de vez. É oque mais quer, pois acha que a dor não continuará ali. Enganado outra vez. Não passa de falta de coragem para seguir o caminho mais difícil que lhe trará felicidade futuramente, ou ao menos, arrancará a dor.
Por Nosferattus. 20h:06 . Dezoito. Março. 11.
Friday Mar 3 @ 07:11pmEu pude sentir o sangue percorrer por tuas veias, a pura alma debater dentro do corpo humano, e o medo em seus olhos. Medo do sofrimento, dor e morte. Mas, para mim era algo tão agradável que cheguei a perder o controle. Se poderia haver uma sensação melhor que o medo de um humano, era as mais puras almas que fortalecia-me a cada noite. E agora, não tirava a vida de humanos por prazer, diversão ou crueldade. Tornou-se algo vicioso, eu precisava das almas mais puras existentes. E quanto aquelas imprestáveis, apenas torturaria o humano e enviaria ao inferno.
Por Nosferattus. 00h:02. Doze. Março. 11.
Friday Mar 3 @ 10:20pmDesabafar para o vento. Para si mesmo.
Eu não preciso de um amor. Ele fere. Eu não preciso ser protegido ou cuidado. Humanos enjoam, vão embora. Eu não preciso de nada que venha de ti, pois estou bem. Não estou? Estou. Eu não sou um fracasso. Não preciso da tua luz para iluminar meus caminhos e da tua mão para endireita-los. Nem ao menos dos teus sorrisos, olhares e palavras. Eu posso viver sozinho, ser feliz e sozinho. Pois tudo que construirá em cima de mim, sei que será retirado. E não apenas o que fez por mim. Levará tudo - ou quase - que há por dentro, em meu interior. É o que humanos fazem de melhor. Sabes o que vai restar, dor; lágrimas e desilusão. Mas… Não é esse pensamento que domina meus pensamentos. Era o que eu deveria pensar, na verdade, a minha vontade é de lhe ter aqui. Correr para seus braços. Fazer graça para ver-lhe sorrir. Ah! Teu belo sorriso que me faz sentir vivo por alguns segundos; minutos. Os olhos negros penetrantes que me encanta e intimida. Eu poderia encara-los dia pós dia. Os seus toques por meu corpo após colocar-me na cama. Teu corpo logo atrás do meu, pressionados. Os braços envolvidos no corpo frágil, dando proteção mais uma noite. Eu só… Queria-te aqui, dando-me proteção, alegria. E sinceramente… Por mais que eu saiba o quanto é perigoso, eu não me importaria de arriscar, pois ao menos assim poderia me sentir vivo outra vez. E não teria que lutar contra meus pensamentos, pois estaria entregue à ti. As decisões seriam tuas, tu quem iria decidir o que fazer, o bem ou mal, caro humano.
Por Nosferattus. 21h:41. Dez. Março. 11.
Thursday Mar 3 @ 09:29pm 
As mãos ágeis foram em direção ao maxilar, segurei com firmeza e de teus lábios arranquei uma breve chupada. No mesmo instante em que deixei os lábios próximos dos ouvidos onde eu murmurrava palavras perversas. Desejos. Deslizava a mão para os longos cabelos lisos, envolvi algumas mechas nos dedos, puxando-as, inclinando a a sua cabeça para trás. Os lábios ressecados e avermelhados deslizavam pelo corpo nú, roçando-os na pele pálida. O desejo ficava mais intenso. Pude notar teu corpo arrepiar por inteiro após estremecer. A mão livre encontrava-se em teus seios, acariciava-os. Deslizando o polegar pelos mamilos. Já não tinha mais controle dos pensamentos, o qual estava rodeado de malícia, desejos. E até mesmo dos mus atos. Eu a desejava, e precisava senti-la. Em um impulso, a empurrei para cama – porém, permaneci com o cuidado. Inclinei a cabeça para baixo observando o corpo com belas curvas à minha frente, agaichei e envolvi as mãos nas coxas, puxando-a. Curvei as laterais dos lábios, assim, sorrindo maliciosamente. Os olhos claros procuram pelos teus; as pupilas negras e pequenas encontram as tuas num contato visual extremamente intenso na intenção de que dessa forma eu possa transmitir a ti todas as minhas vontades, através do olhar. Ela percebeu, um riso baixo e malicioso escapou de meus lábios, agora era a hora certa. Faria de ti, minha. E daria-te um prazer inexplicável. O qual nunca poderá ser esquecido. Permanecerá em seus pensamentos. Sempre.
Por Nosferattus. 09h:53. Dois. Março. 11.
Wednesday Mar 3 @ 07:54amEle chega em silêncio. Sussurra em teus ouvidos palavras que queres ouvir – que necessita escutar no momento. Lhe protege, entrega sua atenção a ti. Ajuda-lhe. Cativa. Tu acredita. Confia. Cede aos encantos do rapaz. E por fim, acaba ficando fascinado. Ele segurou tua mão quando precisastes, fez mais que o necessário para te fazer sentir vivo outra vez. Tu achas que tudo está perfeito. Ou estará. Constroem sonhos. Ilude à si mesmo. E mal sabe que tudo tem seu significado. Nada acontece sem um verdadeiro motivo; intenção. Ele tem seu tempo. Um curto tempo. Tudo que ele construiu pra ti, – sem piedade alguma – ele arranca de ti. Pior do que antes. Ele retira seu coração. Lágrimas foram o que lhe restaram. Agora sente-se vazio; oco interiormente. Primeiramente, ele saboreia a forte dor que causou. Mas não sai do caminho, ele sempre estará para refrescar tua memória. Trazer lembranças e apreciar tua dor.
“Não importa pelo que esteja passando. O demônio sempre está ao teu lado para segurar sua mão, e depois solta-la. Destruí-lo vagarosamente e saborear seu sofrimento; dor.”
Por Nosferattus. 04h:03 . Doze. Fevereiro. 11.
Saturday Feb 2 @ 01:26amOs olhos negros do homem pálido com os vestes pretos e os cabelos da mesma tonalidade escorrido pela lateral do rosto encarava-me indiscretamente. Os olhares transmitia frieza, e sinceramente nunca havia visto algo do gênero. Nunca vi um homem tão obscuro, e cheio de mistérios. As laterais dos meus lábios curvaram fracamente, ainda sentia medo, mas queria se aproximar. Ele nada fez, permaneceu paralisado, encarando-me. Um arrepio percorreu o corpo inteiro, elevei as mãos para o casaco escuro como o do homem misterioso, o fechei e apoiei as mãos nos braços, como se o frio me dominasse. Mas ele e eu sabíamos que não era o frio, era ele. Ele sorriu maliciosamente. Engoli seco, a respiração acelerou. Perdendo o controle do corpo, passos curtos e lentos foram dados na direção dele. Ele inclinou o corpo para frente, aproximando da lateral do rosto e uma risada maliciosa praticamente inaudível escapou dos lábios ressecados e avermelhados, eu pude ouvir.
– Pernas finas e frágeis. Uma pele com textura suave. Corpo perfeitamente alinhado, firme, ardente, provocante. Uma criança com uma… Ele interrompeu a própria frase com um riso.
Fechei as pálpebras no mesmo instante em que ele sussurrava em meus ouvidos. Estava paralisado, as mãos estavam trêmulas e suavam frio.
– O que tu és? E o que tu queres? A voz escapou baixa e falha pelo medo da resposta.
– Corajoso da sua parte se dirigir dessa forma a mim. Eu quero você. Quero sua…
– O quê? Diga!
– Alma. Me dê sua alma.
– Eu não posso…
– Prefere a morte?
Abaixava-me, estava próximo demais daquele homem. Mas, ele foi rápido. Logo senti as mãos macias em minhas costas, ele me puxou contra o corpo dele com uma certa violência, nossos corpos encostaram. Ele era frio, senti quando nossas mãos esbarram. Meu coração disparou, os olhares foram de encontro aos dele, permaneci calado. Não foi preciso de uma palavra, todos sabiam que eu tinha medo de morrer, até mesmo o rapaz esquisito e misterioso.
– Eu vou te salvar, dando uma nova vida.
Afirmei com a cabeça. Ele sorriu maliciosamente e sussurrou em um tom de voz cínico.
– Você acabou de vender sua alma, doce criança.
Antes que eu pudesse retrucar os lábios dele se aproximaram dos meus, o corpo dele inclinou-se para cima do meu, os longos braços estava envolvidos em meu corpo, e eu estava apavorado.
A alma debatia-se dentro de mim, e aos poucos abandonou o corpo por ser sugada pelo homem. O rapaz em que retirou minhas emoções, sentimentos, vida. Nada mais havia dentro de mim, estava oco. Desde então, eu não conseguia mais sentir alegria ou tristeza. Meus olhos esverdeados tomaram uma tonalidade negra, um preto profundo, penetrante. Os lábios ressecaram e perderam a cor assim como a minha pele, ela estava pálida e gélida. E eu não conseguia mais transmitir afeto como antes, ele me deixou como ele, a única coisa que transmitia aos outros era frieza, mistério e um ar obscuro.
– Como és indefeso, descuidado. Mas, para sua curiosidade. Tua alma é deliciosa, tão pura… Ele sussurrou satisfeito, soltando-me após colocar-me de pé no chão. Ele virou as costas e partiu.
Estava sozinho mais do que nunca, e minha única preocupação no momento era “o que eu sou?” não foi preciso de perguntas, uma voz vindo de dentro de mim respondeu-me.
– Tu és a escuridão.
